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Ladino – a língua dos judeus sefarditas 2012-04-05

Falar ladino ou um antigo dialeto do castelhano, pode indicar uma possível ascendência judaica

O ladino, também conhecido como idioma judeu-espanhol, sefaradi, cripto-judeu, Judesmo, Hakitia ou Spanyol, teve suas origens em 1492, quando os judeus foram expulsos da Espanha. Ao longo dos séculos, o espanhol do final do século XV, como era falado pelos judeus, sofreu algumas alterações geradas pela influência de vários idiomas dos países aos quais os judeus sefarditas emigraram.

Ladino atende aos critérios de uma língua distinta e não é apenas um dialeto do espanhol. No entanto, o ladino e o espanhol não são idiomas tão diferentes, permitindo que aqueles que dominam um ou outro possam se comunicar entre si. Existem fortes e óbvias semelhanças, tais quais existem, por exemplo, entre o espanhol e o português.

O idioma dos sefaraditas

Quando os 150.000 a 300.000 judeus abandonaram a Espanha, eles levaram consigo as suas línguas. Levaram o hebraico, a língua de oração e estudo, que não era usado em casa ou nas ruas. A língua de uso diário era o espanhol-castelhano como era falado em fins do século XV. A língua que muitos judeus exilados levaram consigo quando deixaram a Espanha em 1492, coincidiu com o castelhano em muitas características, mas tinha seguido a sua própria evolução através do judaico-latino, combinado com o hebraico, o aramaico, os vários dialetos da península e o judaico-árabe ao longo dos séculos. Em cada uma de suas novas casas, adquiriu elementos das línguas vizinhas, preservando seu núcleo ibérico. Tornou-se uma expressão única de tradições judaicas, estilo de vida, cultura, instituições e crenças.
É interessante notar que uma notável diferença gramática entre o espanhol e o ladino é que este último não usa as formas "usted" e "ustedes" do pronome de segunda pessoa, esta utilização foi desenvolvido em espanhol depois que os judeus abandonaram. Da mesma forma, o ladino distingue os sons do B e V. Mais uma vez, somente após o século XV, os espanhóis deram a essas duas consoantes um som idêntico. Algumas outras características do espanhol, tais como o ponto de interrogação invertido e a utilização da letra ñ, também estão ausentes no ladino.
Tradicionalmente, o ladino foi escrito usando o alfabeto hebraico com a escrita da direita para a esquerda. Hoje, o alfabeto latino (o mesmo usado em inglês e em espanhol) é mais comumente usado, exceto em alguns textos religiosos.
O ladino, certamente, não foi preservado por causa do amor e lealdade a Espanha. Muito sofrimento estava envolvido na expulsão, as conversões forçadas e as perseguições pela Inquisição ao longo dos séculos. Foi a manutenção da vida judaica com a sua religião e todas as suas práticas especiais que conservaram o ladino vivo. Judeus praticantes tiveram que viver em comunidades coesas. O ladino foi preservardo porque os judeus se mantiveram unidos. Vivendo muitas vezes em lugares remotos, os judeus não podiam sequer ter percebido que sua língua vinha da Espanha.
Desde a expulsão, o ladino foi falado no norte da África, Egito, Grécia, Turquia, a ex-Iugoslávia, Bulgária, Romênia, França, Israel, Estados Unidos e América Latina.

Uma língua ameaçada

A agência das Nações Unidas UNESCO produz, anualmente, um Atlas das Línguas em Perigo. Ladino é listado como sendo "seriamente ameaçado de extinção". Com exeção a um pequeno grupo de entusiastas e acadêmicos, o mundo teve pouco conhecimento da morte do ladino.
Hoje, apenas um número entre 100.000 e 200.000 pessoas falam o ladino, principalmente pessoas com mais de 50 anos de idade, muitos deles tendo emigrado para Israel, onde a língua não foi transmitida para seus filhos ou netos.
Portanto, a questão que permanece é se o ladino será extinto. É a linguagem de Maimônides, do poeta Yehuda Halevi e de toda a tradição da Cabala, o Zohar, e do Código da Lei Judaica, pelo rabino sefardita Joseph Caro. Embora os estudiosos ainda serão capazes de ler o ladino, uma vez que uma língua não está mais "viva", ela deixa de contribuir para o desenvolvimento cultural, social e intelectual de um povo.

Um renascimento do ladino

Esforços vêm sendo feitos para manter o idioma ladino vivo. Há um pequeno renascimento entre as comunidades sefarditas, especialmente na música, aonde se nota uma crescente audiência. Existem festivais culturais ladinos e as cinco principais universidades israelenses ensinam o ladino e possuem departamentos que se concentram em estudos sefarditas.
Se o objetivo será transmitir o ladino e a sua rica cultura às futuras gerações, um enorme esforço será necessário para ensinar e usar o idioma, mesmo que de forma secundária.